Os muitos Amados que ando a ler

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Dez dias do novo ano e já li… quatro livros, todos do Jorge Amado. Não havia planos para isso, apenas calhou uma saída à noite e o único lugar aberto na noite de Ano Novo. Um dos “hostels” que está aberto na minha cidade tem a delicadeza de ter uma série de livros antigos espalhados nas salas onde a juventude – vinte anos mais novos que eu – convive em grupos.

Calhou pegar, nessa noite de Ano Novo, num livro relativamente antigo – pelo menos uns 50 anos – do Jorge Amado, onde tinham os seus primeiros três livros: “O País do Carnaval“, “Cacau” e “Suor“. O que mais espante é a sua precocidade. “O País do Canaval” foi escrito em 1930, tinha ele 18 anos. Mas talvez seja por causa dessa precocidade que o livro mostra os seus “defeitos”. Não levem a mal, não é o pior, apenas quem escreve pela primeira vez e com aquela idade, tem os seus riscos.

Daquilo que li, tem lampejos do génio que aparecerá mais tarde. Já tem o cenário montado, mas mostra a arrogância da juventude e a superficialidade das personagens. E é demasiado filosófico. Mas a coisa boa do livro é que é um ponto de partida. Ninguém nasce ensinado e poucos são os que têm o dom da escrita. E nesse livro tinha os seguintes: “Cacau” e “Suor”. Nessa altura, Amado já tinha sido influenciado pelos ideais proletários e comunistas, e esses livros são essencialmente, novelas realistas. Ele próprio admite isso, ao colocar o povo como herói e os latifundiários, os coronéis, como os vilões. As suas descrições das fazendas de cacau na Bahia são realistas e verdadeiras, mas a certa altura, anotas que a simplicidade da história torna-se simplista. Mas isso é visto agora, 85 anos depois da sua publicação. É que quando saiu a primeira edição, em 1933, foi um escândalo, com a policia a apreender todos os seus exemplares. E o escândalo ajudou a projetar Jorge Amado na órbita dos escritores a ter em conta no século XX brasileiro. E isto numa altura em que, por exemplo, Graciliano Ramos andava a escrever “Vidas Secas“, um dos maiores livros sobre o sertão brasileiro de sempre.

“Suor” é uma sequência de “Cacau”, mas é mais urbano. Cai mais ou menos nos mesmos no mesmo estilo, e é previsível. E topas que está a seguir a tendência do seu tempo, os romances realistas e proletários, por causa de um certo sonho proletário, num tempo em que os totalitarismos pareciam ser o futuro negro que se desenhavam, e muitos se iludiram, não é?

Pelo meio, calhou ler “A Morte e Morte de Quincas Berro D’Água“. Um pequeno romance – não tem mais que cem páginas – e aí é que se mostra o Jorge Amado que todos conhecemos. O escritor maduro, que mostra Salvador e a Bahia no seu melhor – os bas-fonds, os malandros, os bêbados, as prostitutas, as mães-de-santo, a verdade verdadeira – e o contraste com os que desejam viver das aparências e a sua hipocrisia subjacente.

É por isso que Joaquim – o “Quincas”, quando morre, o seu corpo é “sequestrado” pela familia que ele renegou dez anos antes para viver a vida que quis viver. O funcionário público exemplar que chegou à reforma, mas nunca foi feliz, para depois deixar tudo para trás, beber até morrer, mas com verdadeiros amigos da pinga e amores entre as meretrizes e os pescadores. É uma história encantadora. Curta, mas encantadora.

E o que se aprende disto tudo está resumido numa passagem que li, escrita pelo Vinicius de Moraes, ao apontar o que tinha escrito de “O País do Carnaval” até “Quincas Berro D’Água”, trinta anos mais tarde (este último foi publicado em 1961):

Eu acho francamente belo o crescimento de um escritor como Jorge Amado, que vêm desde um livro cheio de defeitos como ‘O País do Carnaval’ até essa obra-prima que é ‘A Morte e Morte de Quincas Berro D’Água’ […]

Saí da leitura desta extraordinária novela, que, que andava no maior fastío da literatura, com a mesma sensação que tive, e que nunca mais se repetiu, ao ler os grandes romances e novelas dos mestres russos do século XIX, Pushkin, Dostoievski, Tolstoi, Gogol especialmente. Uma sensação de bem-estar físico e espiritual como só dão os prazeres do copo e da mesa quando se está com sede ou fome e os da cama quando se ama. ela representa, dentro da novelistica brasileira, onde já há cimos consideráveis, um cume máximo.

Diga o que Vinicius disser, há uma verdade nisto tudo: quando um escritor alcança a maturidade, torna-se excelente. E essa maturidade têm de começar por algum lado, mesmo que seja em algo cheio dos defeitos da juventude. Pessoalmente, quem me dera ter publicado um livro aos 18 anos, cheio de defeitos, e com capacidade para aprender com eles. Nem todos conseguem isso, é verdade – só comecei a levar isto a sério aos 30 – mas creio que vou muito a tempo de escrever muito e melhorar a minha escrita. Só tenho pena de não ter começado mais cedo.

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“Mata-Sete”

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Soube-se este sábado que tinha morrido o Vitor Jorge, aos 69 anos, na ilha da Córsega. E de uma certa forma, parece que abriu na minha cabeça uma gaveta há muito esquecida. Quem não conhece a história, direi desta forma: há 31 anos, quase 32, num fim de semana de Carnaval, esta pessoa matou sete pessoas entre a praia do Osso da Baleia e a Marinha Grande. Perto, demasiado perto da minha vida. Pelo menos no alto dos meus dez anos, na altura.

Escuso de dizer que foi um crime que chocou todos na altura. E das mensagens que leio agora, todos os que se lembram, não lhe perdoam. E ele sabia disso, quando escreveu o diário onde, nos meses em que antecediam o crime, descreveu aquilo que pretendia fazer, e porque pretendia fazer. E no dia do crime, mandou esse diário ao “Correio da Manhã”, sabendo que depois, eles iriam fazer manchetes atrás de manchetes. Iria ter atenção garantida.

E sabia que o povo não o perdoaria, tanto que pediu não só a pena de morte para si mesmo – justiça popular, entenda-se – como queria que o júri popular – que aconteceu, no seu julgamento – fosse constituído pelos familiares das vítimas. A “loucura” que falava nas páginas desse seu diário tinha mais a ver pelo facto de se ter apaixonado por uma rapariga de 18 anos – tinha 37 na altura dos factos – e dizer que a sua vida, com ela, fazia sentido. Ele, que era casado e já tinha feito três filhos, duas raparigas e um rapaz.

No final, apanhou vinte anos, e saiu ao fim de 14, em 2005. Foi primeiro para o Reino Unido e depois para a ilha da Córsega, onde fazia limpezas no aeroporto local. Tinha o hobby da fotografia – era bancário na Marinha Grande e ajudava a filha mais velha em fotografias de casamentos e batizados – e aparentemente, voltou a pegar na câmara quando saiu em liberdade. E as paisagens corsas valem a pena…

Óbvio que não era louco. Planeou tudo ao pormenor. Mas não creio que fosse “serial killer”, apenas queria entrar na História pela infâmia. Até o tínhamos esquecido quando soubemos da sua morte, pouco depois do Ano Novo, embora digam que ele tenha morrido no passado dia 29 de dezembro, ou seja, nem sequer viu este novo ano que agora vivemos.

E enquanto nós vivermos, alguém se lembrará disto e contará a outros sobre um fim de semana de loucos, há uma geração. De quando fomos o centro das atenções pela infâmia.

Os irresistíveis delírios de Roberto Bolaño

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Este mês li não um, nem dois, mas três livros de Roberto Bolaño. De uma certa forma, já tinha ouvido desde há algum tempo sobre a sua reputação, especialmente o monstruoso “2666”, o seu romance-testamento publicado pouco antes da sua morte em 2003, aos 50 anos de idade.

Comecei por ler “Estrela Distante”. Este primeiro livro fala do Chile de Pinochet, de um aspirante a poeta que na realidade era tenente da Força Aérea, e que aproveitou o pós-golpe para matar duas mulheres, gémeas, que conhecera num atelier de poesia em Concepcion, algures em 1971. Dizia-se chamar Alberto Ruiz-Tagle, mas na realidade, o seu nome era Carlos Weider. Que depois fez incursões aéreas no sul do Chile, no ano a seguir ao golpe e expôs os seus crimes numa exposição “íntima”, antes de desaparecer de circulação e aparecer quase vinte anos depois, num bar na Catalunha, mais velho.

Depois, fui ler “O Espírito da Ficção Cientifica”. É um livro póstumo, passado nos anos 70 na Cidade do México. A familia, depois da sua morte, pôs-se a vasculhar os seus arquivos, para ver se descobria algo de interessante, algum tesouro por publicar, depois de coisas como “Os Detetives Selvagens” e claro, o “2666”. De uma certa maneira, é um tesouro, mas notas a sua “crueza”, no sentido de não ter limado as arestas. E de uma certa forma, não encontras um sentido de conclusão.

As personagens são interessantes. Jan e Remo, dois amigos de 17 anos – não são mais que os alter-egos do escritor. Um escreve em jornais para complementar as despesas, o outro escreve para escritores consagrados de ficção cientifica com propostas para literatura latino-americana. E pelo meio há amigos, e uma mulher pelo qual Remo se apaixona, chamada Laura.

Depois, li “A Literatura Nazi nas Américas”. Essa lê-se de uma penada só porque são estranhas biografias de personagens estranhas, todos ligados pelo fascínio pelo nazismo e a ideia de um IV Reich. Parece ser delirante, mas colocando-se na cabeça dele, até faz sentido. Pessoas que lutam para ser reconhecidos em vida, quem não teve? E são coisas que ele viveu, quer no Chile, quer no México, quer em Espanha. Se forem ver na biografia, apesar de ter tido tempo para assistir ao seu reconhecimento, foi algo que lutu constantemente na sua vida. Quem não teve medo de morrer sem ser reconhecido, procurando pela razão da sua existência, pela persistência de um legado que justifique a passagem por esta Terra, neste tempo?

No meio desse delírio, as obras de Bolaño parece terem um certo magnetismo irresistível. Pelo menos, é isso que sinto.

— XXX —

Este é provavel que seja o último post de 2018. Em 2019, certamente há mais, mas deixo aqui a mensagem de que ando, lentamente, a voltar a escrever. Vamos a ver no que isto poderá dar.

Sobre o México, pelos olhos de “O Velho Gringo”

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Por estes dias, andei a ler “O Velho Gringo”, de Carlos Fuentes. A história, tratada no realismo mágico daqueles lados, fala de Ambrose Bierce, um jornalista e escrito americano que, em meados de 1913, decidiu atravessar a fronteira para o México, para, ostensivamente, seguir Pancho Villa e a revolução mexicana. E ele depois não deu mais noticias.

Bierce tinha 73 anos na altura, e o seu desaparecimento causou sensação na altura. Era uma personalidade altiva, os seus livros eram famosos, a sua popularidade rivalizava com Mark Twain, por exemplo. E escrevia nos jornais de William Raldolph Hearst, o sujeito que serviu de inspiração para “Citizen Kane”, de Orson Welles. E Hearst, a bem dizer, desejou uma guerra com Cuba para que os americanos focassem com ela… ou então, só porque queria ver a casa a arder.

“O Velho Gringo” é uma versão romantizada da coisa. Fala da velhice, da morte, daqueles que se sentem em casa e dos estranhos, fala da dificil relação entre os Estados Unidos e o México, e do gosto de sangue que os mexicanos têm, ao longo da sua História. E não falo da história moderna. Falo da história pré-colombiana, pré-Cortés.

Os Aztecas, o império que existia antes de Hernan Cortés chegar, há 500 anos (vai ser comemorado em 2019), era um povo guerreiro que acreditava que os sacrificios humanos eram essenciais para a sua crença religiosa. Sacrificar-se perante os deuses era a máxima honra, na sua religião, e as escadas dos seus templos estavam carregadas de sangue coagulado, dos corações que arrancavam quer dos seus inimigos, quer daqueles que eram escolhidos para o seu destino último.

Naturalmente, os aztecas foram extintos pela força, pelos espanhois e pelos inimigos dos aztecas, que se aliaram para destruir Tenochitlan – a atual Cidade do México – mas depois disso, houve mais violência. A Guerra da Independência, a invasão americana de 1846-48, para ficarem com o Texas, Arizona, California e Novo México, a invasão francesa de 1863-67 para colocar um imperador, a resistência de Benito Juarez, e a revolução de 1910, que durou treze anos e matou dezenas de milhares de pessoas, até aos dias de hoje, onde os cartéis de droga se matam uns aos outros a para controlar as rotas do tráfico de cocaína e marijuana para os Estados Unidos. A nação dos “gringos”.

O livro tem o seu quê de melancólico. O velho gringo foi para o México para morrer. Não quer morrer numa cama, quer encostado a uma parede e ser fuzilado. Tem a sua dignidade, e deseja mantê-la até ao fim. Não deseja estar deixado, sem controlo das funções mais básicas de higiene, e a delirar por alguém ou algo. Já sofreu, já perdeu os que ama – dois dos seus filhos morreram antes dele, devido ao álcool – e acha que já não resta muito. Nesse campo, a moral da história é controlar o destino, enquanto puder. Daí ele não ouvir os conselhos dos outros, especialmente o do “general” Tomás Arroyo, que lhe diz que não pertence ali.

Às vezes imagino os mexicanos. Não digo que tenham sede de sangue, mas quando vejo a celebrar os mortos, o famoso “Lo Dia de los Muertos”, com as caras pintadas de crânios, mais que lembrar que o nosso destino é esse, dou por vezes a pensar que eles devem banhar-se em sangue. Já os imaginaram cobertos com um liquido vermelho de cabeça aos pés, com a máscara da caveira pintada na cara? Eu já. Para mim, esse é um dos subconscientes do México. Aquele que me lembro.

Claro que, como todos os outros povo do mundo, eles desejam viver em paz. Mas quando lemos o que fizeram em tempos agitados, quase nos fazem pensar que tem prazer nesses dias. Até parece que prosperam, são verdadeiros. Aquela é a verdadeira face do México. Se ouvirmos o hino deles, cantam guerra até rebentar os tímpanos. Mas é como todos nós: quando são invadidos, defendem a sua terra até ao último centímetro.

Quanto ao livro: anos depois, deu um filme, com Gregory Peck, Jane Fonda. O livro vale a pena. O filme, vi-o há muitos anos, não me recordo bem se gostei ou não. Mas é capaz de ser bom.

A Oeste Nada de Novo

Remarque

Semana que vêm vai se comemorar os cem anos do final da I Guerra Mundial. Nestes últimos dois, três meses, tento sempre arranjar tempo para ler. E ando a ler bastante – 33 livros desde agosto, e tenho a certeza que lerei mais alguns até ao final do mês.

Hoje acabei de ler “A Oeste Nada de Novo” (Im Westen Nichts Neues no original), do Erich Maria Remarque (1898-1970). Não é o primeiro livro que leio dele – li “Uma Noite em Lisboa” há umas semanas – mas deve ser dos livros mais impressionantes que já li. Queria ler esse livro por esta altura, para ser honesto, e destes dois dias que demorei a ler, posso dizer que valeu a pena.

Para quem não sabe – vou tentar não ser “spolier – trata-se de um grupo de rapazes de Osnabruck que vai para a frente ocidental. Aos poucos, eles morrem. Uns diretamente, outros foram atingidos por estilhaços e morrem nas enfermarias, pois ficam doentes com septicémia e sofrem uma morte lenta. Outros até são amputados nas pernas ou nos braços e agonizam nas camas até que a morte apareça, inevitável.

Não há heroísmo na guerra, nunca houve. As cenas são pungentes e cruas. As descrições nada têm de heróico, apenas são garotos a sobreviverem. E a autoridade é várias vezes reclamada, contestada. Não admira que tenha virado um romance anti-guerra e que quando os nazis chegaram ao poder, o livro foi proibido e queimado, com Remarque a viver na Suíça, e mais tarde, nos Estados Unidos.

O que me tocou foi a cena em que esteve lado a lado com um soldado francês que o matou. Ele não teve morte imediata, agonizou por horas a fio antes de morrer. As cenas são de angustia, que conta tudo e nos transporta para aquelas trincheiras, aquelas crateras de bomba, as metralhadoras e as balas, os estilhaços que rasgam a carne e arrancam pernas, braços e marcam a cara. E condenam-os à morte, não de imediato, mas depois em agonia, por dias a fio.

E há um episódio onde ele vai de licença para casa. Ao chegar à sua vila natal, Osnabruck, vê que a população parece viver noutro mundo completamente diferente do dele. É certo que passam necessidades, mas julgam que os soldados comem melhor. Na realidade, não é bem assim: as cenas onde os soldados improvisam refeições são frequentes. E no final, quando os seus companheiros morrem ou ficam demasiado feridos para voltaram à frente – ele é ferido, mas volta a combater – ele fica sozinho, solitário, pensando na sua geração que, mal viveu a vida, e já está carregada de morte e de destruição.

A realidade é esta: não há heróis. Apenas sobreviventes. E entendo agora porque é dos mais marcantes livros que já li na minha vida. E já li uma boa quantidade deles.

Recomendo que o leiam. Por favor.

Tentando não ser escravizado

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As redes sociais sugam-nos, é um facto. Quando li por estes dias que há pessoas que fazem do seu telemóvel o seu novo parceiro na cama – parceiro não sexual, diga-se – fazemos pensar no que nos tornamos. Que o ser humano é facilmente hipnotizado, é verdade. Mas essa viciação nas redes sociais faz com que nos sintamos sós. Pensem nisto: quando foi a última vez que falaram com alguém cara a cara, sem telemóvel no caminho.

Dou o meu exemplo pessoal: saio frequentemente à noite com um amigo meu. Ele por vezes insiste-me em convidar à noite, mesmo quando estou cansado. Lá aceito, mas quando chega lá, em 70 por cento do tempo, está agarrado ao telemóvel, vendo as últimas novidades. E acreditem, por vezes conversamos. Mas…

Percebemos o impacto das redes sociais, esses Facebook, Instagram, Whatsapp, Twitter, Snapchat, Telegram, etc. Falamos com amizades virtuais, de cantos distantes da terra. Temos mais intimidade com alguém que viva no Dubai, mas não conversamos com o vizinho do lado. Pensem nisto: quando foi a última vez que tiveram uma conversa com ele/ela?

Em suma, estamos cada vez mais solitários. E cada vez mais dependentes do telemóvel. No dia em que nos fartamos – e acreditem, esse dia acontecerá – é que vão ver até que ponto se colocaram a um canto, e verão o caminho que terão de percorrer até ter uma rede local de amizades. Isto… se quiserem.

Da minha parte, larguei o telemóvel. Não há Whatsapps, o Twitter e o Facebook servem só para o lado profissional – e cada vez mais me causa stress – e o único que me salva é o Youtube. E vamos a ver.

Por outro lado, redescobri o prazer do livro. É um bom anti-stressante, diga-se de passagem.

A noticia

jornais

Quem lesse a noticia no dia seguinte, no jornal local, iria dar de caras com isto:

COLISÃO CAUSA FERIDO GRAVE

Um ciclista de 35 anos ficou gravemente ferido ontem de manhã quando sofreu uma colisão por parte de uma automobilista, no cruzamento no bairro dos arredores da cidade. O ciclista sofreu fraturas em ambas as pernas e foi transportado para o Hospital, enquanto o condutor só sofreu estragos materiais, afirmou a policia.

O acidente ocorreu por volta das 21:30 e a causa poderá ter sido a visibilidade, já que algumas das pessoas se queixaram de que aquele cruzamento é mal iluminado à noite. A condutora afirmou que não tinha visto chegar o ciclista e que não conseguiu reagir a tempo quando o viu à sua frente.

A policia tomou conta da ocorrência e o acidente condicionou o trânsito num dos sentidos por cerca de uma hora.

Essencialmente, quem detivesse e perdesse o seu tempo a lê-lo, fazia-o no tempo estritamente necessário antes de seguir e ler outras noticias. E se não fosse testemunha do acidente ou familiar das vítimas, não o fixava por muito tempo. Porque se estivesse nesse estrito grupo, aí… as coisas eram totalmente diferentes.